População reforma
delegacia de Mirabela
Depois
de 24 anos funcionando em uma casa em condições precárias e de se mudar
provisoriamente para uma lanchonete desocupada às margens da MGT-135, a
delegacia de Polícia Civil de Mirabela, a 70 quilômetros de Montes Claros,
terá, finalmente, uma sede de verdade. O dinheiro e a mão-de-obra não são dos
cofres públicos e, sim, da população que resolveu assumir a responsabilidade
para melhorar a estrutura da delegacia.
A
reforma geral do prédio começou em fevereiro e está prevista para ser
inaugurada no início de junho. Em cinco meses de obra, cada um contribuiu com o
que pôde, trabalho ou material para a construção, que foi orçada em R$ 120 mil.
"Nossa
cidade havia caído em uma situação de abandono. Os crimes aumentaram de forma
geral, os bandidos assaltavam comércios e aposentados. Como o governo não tomou
uma providência, nós tivemos que tomar", disse o empresário Genovais
Soares. Segundo o empresário, o prefeito Laerdino de Menezes sabia da obra
desde o início do projeto, mas não colaborou. "Fizemos mais de 30
reuniões, e ele não compareceu a nenhuma". Procurado, o prefeito não se
pronunciou sobre o assunto. Os moradores disseram que não querem a presença de
políticos na inauguração da sede.
INSISTÊNCIA
Essa
não foi à primeira ação da população para tentar resolver o problema. O
delegado titular da cidade, Célio Nogueira, já havia pedido apoio aos
empresários para providenciar um espaço digno para a polícia. "A
burocracia impediu que o governo fizesse alguma coisa", disse. No ano
passado, Waldomiro Fonseca, também comerciante da cidade, participou de uma
reunião na Delegacia Regional de Montes Claros para cobrar melhorias. Ele
voltou sem perspectiva de conseguir recursos e ainda foi assaltado quando
chegou à sua loja.
Questionada
sobre a falta de providências, a Polícia Civil admitiu que a delegacia regional
sabia da iniciativa e deu apoio, já que a licitação para a construção de um imóvel
com verba pública ainda estava longe de virar realidade. Nenhum responsável
pela Superintendência de Planejamento e Obras da corporação foi encontrado para
falar sobre o caso. A Secretaria de Estado e Defesa Social também não se
pronunciou.





